Trimestralidade: a triste carta de uma viúva

A viúva de um servidor público municipal enviou ao SISMMAR uma emocionada correspondência pra falar da Ação da Trimestralidade, que tramita na Justiça do Trabalho desde janeiro de 1991. Diz ela que o marido faleceu há alguns anos sem receber o direito com o qual contava para fazer a tão sonhada viagem à cidade natal, da qual, pressionado pela seca do sertão nordestino, foi obrigado a sair há quase 50 anos. Desde então, não mais havia conseguido retornar.

O falecido, diz a viúva, contava com frequência e detalhes sobre a forma como Ricardo Barros (prefeito que revogou a lei, que reajustava os salários dos servidores em 1990/91) se recusou a pagar o índice de correção salarial devido à época. Apesar do evidente direito adquirido dos trabalhadores àquele reajuste salarial, Ricardo Barros simplesmente disse que não pagaria e que os servidores municipais, se quisessem receber, que fossem atrás da Justiça. O Sindicato, em nome dos servidores, ingressou com a ação em janeiro/91 e até hoje luta pela realização da tão sonhada Justiça.

O dinheiro, que um dia será pago, é o menos importante para ela, diz a viúva. Afinal, seu falecido marido, que morreu sonhando rever os parentes e amigos do sertão nordestino, já não poderá dele desfrutar. De todo modo, ela, que conviveu nas duas últimas décadas com a permanente expectativa de Justiça que nutria o marido, espera um dia compensar tamanha frustração e representar o amado companheiro na viagem que este tanto idealizou.

Em 2008, diz a viúva, o otimismo de seu marido ganhou forte impulso. O prefeito Silvio Barros, candidato à reeleição, assumiu o compromisso eleitoral de pagar o direito sonegado 18 anos atrás pelo irmão Ricardo Barros. “Essa é uma dívida da família e eu, como irmão, me sinto obrigado a honrá-la”, disse textualmente o prefeito. Entretanto, poucos dias antes do 1º turno das eleições de 2008, as negociações, que caminhavam bem e acenavam para uma definitiva solução para a Ação, foram subitamente paralisadas por Silvio Barros.

Reeleito e indagado pelos servidores, Silvio Barros passou a dizer sempre a mesma coisa: “Está nas mãos da Justiça e vamos deixar que ela decida”. O desalento foi instantâneo e tomou conta do ex-marido. “Faça por mim a viagem que não vou conseguir fazer em vida”, disse ele após prometer não mais tocar no assunto e pedir a ela que fizesse o mesmo.

Para sua surpresa, prossegue a viúva, a promessa de pagamento da Trimestralidade ressurgiu. Nas eleições do ano passado, Pupin, em campanha para suceder Silvio Barros, voltou a prometer pagar o direito aos servidores municipais. Disse o candidato Pupin, em reunião com os aposentados e pensionistas, que colocaria um fim nessa discussão. “Apesar de raramente elevar o tom de voz, não sei qual seria a reação do meu marido diante de mais essa promessa”, sentenciou a viúva.

Embora distante desse assunto a pedido do falecido marido, a viúva foi informada por outra pensionista que o Tribunal Superior do Trabalho, em Brasília (onde se encontra o processo), marcou uma audiência  para o dia 12 de junho visando discutir e definir critérios de pagamento das diferenças salariais dos dois primeiros anos (1991 a 1993). Segundo informação do SISMMAR, o Sindicato e o prefeito Pupin confirmaram presença na audiência.

Da mesma forma que seu ex-marido, centenas de outros servidores falecerem sem ver realizada a tão esperada Justiça. Quiçá, conclui a viúva, Pupin não faça o que a família Barros prometeu e não fez. “Se o meu marido e centenas de outros servidores não conseguiram, em vida, receber o seu pequeno e justo direito, que ao menos a memória deles seja respeitada e que o prefeito pague, com mais de vinte anos de atraso, o direito daqueles que, com suor e dedicação, honraram e serviram a cidade de Maringá”.

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