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8M: contra a violência machista, por vacinas e auxílio emergencial

Do site da CSP-Conlutas

As mulheres trabalhadoras têm sofrido muito mais com a desigualdade, a exploração e a violência em meio à pandemia da Covid-19 e a crise econômica que atinge todo o mundo.

No Brasil, já ultrapassamos a marca de 250 mil mortes pelo novo Coronavírus, vítimas não somente do contexto de fragilidade sanitária, mas também da conduta genocida e deliberada do governo de Bolsonaro e Mourão.

O momento crítico escancarou e aprofundou os problemas estruturais impostos pelo capitalismo. E o assombro das mortes decorrentes de uma pandemia não se resume às que ocupam leitos de UTIs contaminadas pelo novo Coronavírus.

Desde o início da pandemia, o aumento da violência doméstica tem sido alarmante, bem como tem sido assustador o crescimento no número de feminicídios.

Somente em São Paulo, uma mulher foi morta a cada 2 dias vítima do machismo. Segundo estudo realizado pela Rede de Observatórios da Segurança, em média, foram cinco casos por dia de violência contra mulheres nos estados da Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo, em 2020.

As mulheres trans, que já têm estimativa de vida baixa, também morreram mais. Houve aumento de 40% de mortes dessas pessoas no ano de 2020.

É preciso lutar!

No Brasil inteiro, mulheres farão atos virtuais e presenciais, com agenda de ações que tem início no sábado (6), até o dia 8 de Março, próxima segunda-feira.

A CSP-Conlutas inicia a mobilização no dia 6, durante a Reunião da Coordenação Nacional da Central, a partir das 9h, com painel sobre a situação das mulheres na pandemia e importância da realização de um 8 de Março com massiva participação.

No dia 7, a partir das 13h, terá início uma live da Articulação Nacional dos Movimentos de Mulheres, com a participação de mulheres trabalhadoras e ativistas de todo o país e de diversas organizações e entidades sociais e políticas.

Desde o sábado (6), atividades de movimentos de mulheres serão realizadas nos estados, tanto nas ruas, seguindo protocolos de segurança, quanto nas redes sociais.

A CSP-Conlutas preparou material gráfico para ser distribuído nos espaços virtuais e a regional de São Paulo transmitirá, a partir das 19h, uma conversa sobre o dia de luta internacional das mulheres trabalhadoras via a página da Central no Facebook.

Faça o download dos materiais:

Nunca paramos de lutar

De modo geral, mesmo durante esse período longo e desafiador, as mulheres se mobilizaram – mesmo isoladas – e também estiveram presencialmente nas ruas em diversos países.

É o caso das que enfrentaram o endurecimento de leis que criminalizam o aborto na Polônia, na Argentina, pressionando pela legalização do procedimento de interrupção de gestação, na Coréia do Sul, levando às ruas o mesmo tema em defesa da vida das mulheres e pela decisão por seus próprios corpos, em Mianmar, contra o golpe militar e a repressão do regime que já matou dezenas de manifestantes, envolvendo muitas mulheres dentre as vítimas fatais, nos Estados Unidos, contra o racismo e a violência policial, no Brasil, contra o machismo, em defesa das vidas das mulheres e das meninas abusadas e praticamente obrigadas a gestar e parir, supostamente, em defesa da vida.

Nossas vidas importam

No Brasil, as mulheres ainda lutam por direitos enfrentando desemprego e o aumento do custo de vida. E por isso nossa luta neste 8 de Março deve ser classista e combativo. Porque o governo não dá alternativas senão as de morrer infectadas pela Covid-19 ou por falta de oportunidades de trabalho que nos joga para a fome e a miséria.

O governo de Jair Bolsonaro, além de machista, autoritário e violento, ainda age deliberadamente para manter um verdadeiro plano genocida contra a população pobre. Medida que recai, sobretudo, nas camadas periféricas, atingindo mais em cheio as trabalhadoras da classe mais empobrecida e negra.

Profissões que têm em seus quadros maior parte formada por mulheres estão na linha de frente no enfrentamento à pandemia ou em situações mais vulneráveis e propensas ao contágio, como enfermeiras, professoras, trabalhadoras dos setores de limpeza, empregadas domésticas.

Trabalhadoras em educação de vários estados seguem em greve sanitária porque não aceitam arriscar suas vidas e a de seus alunos e familiares. Enfermeiras trabalham em situação de colapso e pressão sobre-humana, as que trabalham limpando esses espaços têm poucas garantias, são terceirizadas, precarizadas e perigosamente expostas.

No Brasil, para lutar contra tudo isso, é preciso colocar pra fora Bolsonaro e Mourão e não só. Mas Damares, que atua contra a vida das mulheres, o ministro da Saúde Eduardo Pazuello, e toda a tropa genocida.

É preciso que nós, homens e mulheres, denunciemos e nos coloquemos combativamente contra a violência às mulheres e por direitos, por vacina para toda a população e pela volta do auxílio emergencial.

Nesse 8 de Março, diremos basta  ao machismo e à exploração, pelas vidas e pelos direitos das mulheres brasileiras e de todo o mundo. Porque nossa luta é classista independente e internacionalista!

Vamos em frente pela legalização do aborto! Por trabalho digno e igual! Pelo direito de viver, existir e resistir!